The Walking Dead – Mercy (s08e03)

Esse terceiro episódio de The Walking Dead é um daqueles episódios que quando acaba você pensa: ufa! E infelizmente não por ser tenso, mas por ser bastante cansativo e até entediante em alguns casos. A ideia central do episódio faz sentido mas a forma como ela foi desenvolvida não ficou boa. Talvez explorar diversos núcleos para demonstrar a mesma ideia ou até mesmo criar um clima de suspense trazendo um personagem lá da primeira temporada somente para mostrar que podemos achar que somos os mocinhos, mas será que somos mesmo? Que na guerra existem dois lados e ambos se acham do lado certo. Quem pode julgar com precisão e total assertividade quem realmente é o lado certo?

*Contém Spoilers

O episódio não foi lá muito bom, mas teve seus momentos divertidinhos. Vamos começar com Morales e seu ódio por Rick, que não fazemos a mínima ideia de onde surgiu, pois em momento algum em seu discurso raivoso ele deixa isso claro. Talvez, com algum esforço de nossa parte consigamos supor que ele não odeia exatamente o Rick indivíduo e sim o que a pessoa do Rick representa como um todo. Pelo que ele diz os Salvadores o salvaram – literalmente e o Rick representa alguém que está destruindo o pouco que ele conquistou nesse cenário pós apocalíptico. Ele deixa bem claro que se tornou uma pessoa rancorosa e amargurada e que Rick pode não perceber ou admitir mas é exatamente como ele. Seja como for, Daryl que amamos não tem muito saco pra blablabla e dá uma certeira e encerra a grandiosa aparição de Morales, que foi, voltou e foi pra nunca mais voltar – assim espero. E no meio dessa lenga lenga vimos que a turma que chegou nos carros “blindados” estava no mesmo local que Rick e Daryl, só que estava do lado de fora servindo como distração enquanto os dois procuravam as tais armas. Aqui cabe uma observação: se eles precisam tanto assim de armas, porque estão gastando tanta munição desnecessariamente? Embora parece que Rick e Daryl querem uma arma específica e talvez seja para matar Negan com seu próprio armamento, mas se for pra ser poético, que mate Negan com Lucile. Aí sim fica bonito.

Enquanto isso Morgan está doidão com sangue nos zóio e o maledeto que matou o menino que Morgan estava dando uma de Tutor não colabora e fica lá cheio de provocações, até que uma horda de zumbis começa a rolar morro abaixo, o cabeludo falastrão tenta fugir, Morgan vai atrás dele e na hora de matá-lo Jesus divinamente intervém. Mas Morgan não está nem um pouco no clima divino e parte pra cima do colega. A cena de luta dos dois foi um dos pontos altos do episódio, uma cena bem executada, uma luta bem equilibrada e que acabou numa frase bem sábia do Morgan: “Eu não estou certo, eu sei, mas isso não quer dizer que estou errado.” Então vemos que Morgan sabe que não está muito bem psicologicamente, mas isso não quer dizer que ele esteja errado com relação ao que fazer sobre os salvadores. E vamos combinar que ele realmente não está errado, porém, Jesus também não e isso fica provado quando chegam à Hilltop e Maggie também não sabe qual decisão tomar. Falando em Hilltop e Maggie a cena do Gregory chegando, dizendo que não sabe quem é Padre Gabriel e tentando dar uma de chefe da colônia foi muito boa. Gregory é um dos personagens que você ama odiar, ele é tão caricato, tão fora da casinha que é impossível não rir, mesmo não gostando dele.

E por fim tivemos três casos patéticos: Primeiro foi Aaron e Eric, numa cena que deveria ter sido bonita e misericordiosa e acabou sendo mal executada por parte dos atores, sem contar na falha do roteiro de deixar o Eric ali sozinho sangrando pra morrer e virar zumbi. Sério? Amadorismo total e que se o final era pra ser sentimental ficou patético. Segundo é a liderança de Ezequiel, que não está inspirando nada, está apenas tola, absurdamente forçada. Tudo bem que o cara representa um rei que tem como melhor amigo um tigre, mas aqueles sorrisos falsos e as frases de efeito estão cansativos e bem distante de um “rei” que impõe respeito aos seus súditos. Ele está mais pra bobo da corte do que pra Sua Majestade. E terceiro é o mais doloroso de se assistir, que é a lenta morte de Carol. Estão matando em doses homeopáticas uma das personagens mais adorada. Na temporada passada já foi sofrido vê-la naquela cabana, mas esperávamos que os produtores estivessem reservando um retorno triunfal de sua personagem, porém, até o momento ela está parecendo um objeto decorativo. Ainda tenho esperanças, mas confesso que estão ficando escassas. Agora resta saber quando Negan vai aparecer, onde está o agente duplo Dwight e se Ezequiel vai conseguir se livrar da invertida que tomou no final do episódio.

Notinhas

  • Se o Morales já estava com Rick na mira de sua arma, porque ele chamou reforços? Por que não simplesmente amarrar e levar o Rick até o Negan? Fora que ele todo espertalhão ficou de costas para a porta. Aff! Mereceu a morte que teve, aliás foi é pouco sofrida, isso sim;
  • Confesso que fiquei com sentimentos confusos quando Daryl matou um dos Salvadores, mesmo após Rick ter prometido que não o faria em troca de informações. Entendo o ponto, mas não sei se concordo. Como disse, sentimentos confusos;
  • Alguém mais percebeu que em nenhum momento deu pra ver a barriga da Maggie, que a câmera só focalizou seu rosto? Intrigante;
  • Assombroso a quantidade de pessoal que Negan tem, muito me admira que Alexandria não tenha sido tomada muito antes;
  • Achei bem apropriado Rick deixar a bebê Gracie nos braços de Aaron, foi bem fofo;
  • Adoro aquele guarda grandão do Ezequiel. Não sei porque diabos, mas ele me lembra um pouco o Sam de Game of Thrones;
  • Aquele pessoal das sucatas que traíram o Rick e se bandiaram pro lado do Negan não apareceram mais. Sorte nossa se nunca mais aparecerem. Povo chato e nada haver.

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