Game of Thrones – Eastwatch (s07e05)

Mais um episódio se passou e… nossa, como passou rápido, não é mesmo? Rápido até demais, eu diria. Algumas cenas ficaram corridas, algumas histórias parece que acabaram muito cedo. Tudo bem que estamos chegando aos dois últimos episódios da temporada e ainda não tivemos nenhuma batalha com o exército do Night’s King, mas mesmo assim algumas das cenas poderiam ser esticadas um pouco. O episódio foi bom, mas foi o mais problemático da temporada até agora.

Seja como for, vamos à nossa review da semana!

*Contém Spoilers

O episódio começa com o milagroso resgate de Jaime – que ninguém acreditou que iria morrer daquele jeito. Os dois olham a coluna de fumaça vindo do local da batalha. Jaime toma um esporro de Bronn – Até que você me pague o que me deve, você não vai se matar. Só eu posso te matar! -, mas nem o humor passivo agressivo de Bronn consegue levantar o ânimo de Jaime, que já está resignado com a derrota na grande guerra depois do vareio que sua tropa levou de um único dragão.

Tyrion então, caminhando entre as cinzas, toma a dimensão do estrago que Daenerys é capaz de causar e se mostra, ao longo de todo o episódio, com pensamentos conflitantes a respeito do que fazer e se questionando se será capaz de segurar pelo menos um pouco a onda de sua rainha. Por enquanto ele não consegue fazer nada. Daenerys dá duas opções aos seus prisioneiros: ou a aceitam como rainha, ou morrem. Alguns se ajoelham ali mesmo, outros parecem indecisos. Depois de Drogon rugir ao fundo, vários mais se ajoelham – mas não Randyll Tarly. Ele resolve que aquela era uma boa hora de demonstrar toda a sua honra e é prontamente retrucado por Daenerys, que questiona onde estava toda essa honra ao trocar a fidelidade de sua casa pelas promessas de Cersei. Pois é, veja bem.

Dickon Tarly, apesar das súplicas de seu pai, também recusa se ajoelhar e Dany, mesmo com os pedidos de Tyrion de que os mande para a Muralha, precisa cumprir sua promessa e deixa que Drogon faça tostatinho dos dois. E aí quem ainda não tinha se ajoelhado não pensa mais.

Jaime então chega a King’s Landing e vai ao encontro de sua amada irmã e a informa da derrota avassaladora que acabou de assistir. Ele está impressionado com o poder de destruição de um dragão – e não quer nem imaginar o que os três farão quando estiverem juntos. E não bastasse isso, ainda tem o exército de Dothraki: “Acabei de ver os Dothraki lutarem. Eles derrotarão qualquer exército de mercenários. Eles derrotarão qualquer exército que já vi. Matar os nossos homens não foi uma batalha para eles, foi esporte.” – Isso que é confiança, meus amigos! Ele chega perto de pedir que Cersei se renda, mas o que ela pode fazer? Se a escolha é entre morrer brigando ou morrer de joelhos, fica fácil né?

Aliás, tem mais uma coisinha, Cersei. Foi Olenna quem matou Joffrey. Tyrion não teve nada a ver com aquilo. Depois de tentar argumentar, ela finalmente aceita a verdade, mesmo sem dizer mais uma palavra – os olhos cheios d’água por outro lado disseram muito.

Daenerys volta a Dragonstone e de forma triunfal pousa seu dragão a poucos metros de Jon Snow. Apesar do cagaço inicial, Jon se aproxima de Drogon, retira sua luva, e faz um carinho no monstro. Dany não aparenta dar muita bola, e os dois começam mais um de seus diálogos que ficam sempre a beira de chegar em algum lugar. Ela fala algo como “e aquele papo de você ter tomado uma facada no coração e ter ressuscitado, como é que foi mesmo?”. Jon dá umas voltas e é salvo pelo gongo – que nesse caso atende pelo nome de Jorah Mormont. Mais um reencontro entre Jorah e Daenerys, que fica genuinamente feliz em vê-lo por ali. Depois do abraço, Jorah e Jon são apresentados. Jon repete o discurso de Sam, de que foi uma honra servir ao pai dele na Muralha.

E corta para o Norte, onde Bran, comandando um bando de corvos, vai espionar os White Walkers. Os corvos passam pela muralha em Eastwatch, voam além da muralha, e depois de passar por um morro, vislumbram todo o exército de mortos-vivos. O Night’s King percebe o que está acontecendo e só no olhar força a debandada das aves e faz Bran acordar de seu transe. Bran decide que aí já é demais e manda avisar todo mundo que os White Walkers estão chegando.

Na Cidadela, Sam está em volta do conselho de mestres quando eles estão discutindo as notícias. Eles não ligam muito para a cartinha de Bran e isso foi demais para Sam, que já lutou com os zumbis de gelo e sabe bem do perigo que eles representam. Ele tenta argumentar com os mestres, pede que eles intercedam e peçam para todos os lordes enviarem tropas para o Norte para lutar contra os White Walkers, mas é sumariamente ignorado e até debochado pelo pessoal da terceira idade. Ele sai da sala bem chateado, mas ainda se afunda nos estudos, junto com Gilly. Ela está com um livro de um certo Mestre Maynard, que entre contar degraus de longas escadarias, e registrar todos seus movimentos peristálticos, revela que um certo príncipe Ragger se separou oficialmente e logo depois se casou. Sam estoura e decide jogar tudo pra cima e abandonar a cidadela.

Aqui cabe um mega parenteses. Normalmente esse tipo de coisa eu deixo lá nas notinhas, mas esse fato é tão importante para toda a história que merece ser mais detalhada aqui. O que Gilly descobriu foi que Rhaegar, o irmão mais velho de Daenerys, se casou oficialmente com Lyanna Stark – ele era casado com uma Elia Martell antes de fugir com Lyanna, mas se separou e depois se casou. Os dois tiveram um filho, Jon Snow, que mesmo não sendo filho de Ned Stark, continuaria sendo um bastardo e sem direito ao trono. Agora, com essa revelação de que Rhaegar e Lyanna eram casados, ele não é um bastardo qualquer, é o filho legítimo do príncipe herdeiro e o primeiro na linha de sucessão ao Trono de Ferro. Essa era a última das dúvidas que existiam sobre a história de Jon Snow e na verdade poucos acreditavam que Jon pudesse ser filho legítimo. E tudo isso foi dito no episódio como se não fosse nada de mais! Fim dos parenteses.

De volta a Dragonstone, Tyrion tenta defender Daenerys para Varys, sem muita convicção no que está dizendo. Ele parece muito mais estar tentando se convencer de que Daenerys fez o certo do que tentando convencer Varys. Os dois estão preocupados com a jornada de Dany e onde isso irá terminar. É possível entender o ponto de vista deles, eles sabem como o pai dela terminou, mas também sabem que ela não é (pelo menos ainda) o pai dela. Por enquanto é apenas um caso de gato escaldado com medo de água fria (too soon?)

Jon recebe a notícia de que Bran e Arya estão vivos (esperava uma reação mais pronunciada de Jon, mas ok) e também que Bran tem visões e que viu os White Walkers chegando a Eastwatch. Isso parece ter sido suficiente para o povo todo resolver apertar o pause na guerra e o plano agora é convencer Cersei a fazer o mesmo. Aí Tyrion tem a mirabolante ideia de capturar um zumbi (morto) vivo e levar para King’s Landing para Cersei ver qualé. Pra quê, eu me pergunto, mas não encontro respostas. Todos na sala parecem gostar da ideia e lá se vão Jon e Jorah viver aventuras congelantes.

Mas o primeiro passo do plano é combinar com os russos. E lá vão Davos e Tyrion para King’s Landing. Tyrion, com a ajuda de Bronn, se encontra nas catacumbas com Jaime. Depois de trocarem amenidades do tipo “prometi que da próxima vez que te visse, te partia no meio” e de trocarem saudosas memórias de seu pai (sqn), Tyrion apela para o lado pragmático da família e pede que Jaime vá propor uma trégua para Cersei enquanto a briga se muda para o Norte.

Jaime vai contar isso pra Cersei que, apesar de já saber de tudo, se faz de inconformada com a traição dos irmãos. Mas ela sabe que a coisa estava ficando feia para o lado dela, e um tempo nas agressões agora é exatamente o que ela precisa para se reorganizar e tentar alguma coisa depois. “Se nós quisermos derrotar a Rainha dos Dragões, temos que ser espertos. Temos que lutar contra ela como nosso pai faria”. Orgulho do papai! Ela decide se encontrar com Daenerys para combinar a jogada e isso será deveras interessante de se ver na semana que vem. Ah sim, e também avisa que está grávida e que um baby Lannister está a caminho.

Enquanto tudo isso acontece, Davos vai procurar Gendry, que não só parou de remar como está em King’s Landing há tempos. Ele virou um ferreiro e está fazendo espadas para os Lannisters, os mesmos que mataram seu pai, Robert Baratheon, e que tentaram o matar. Ele só estava esperando a melhor oportunidade para zarpar dali e poder lutar contra os Lannisters.

Na beira da praia, enquanto esperam Tyrion, Davos e Gendry são surpreendidos por um par de guardas reais, que aceitam o suborno com certa facilidade. Mas ao verem Tyrion chegando, percebem que aquilo era importante demais para ser ignorado. Antes de conseguirem fazer qualquer coisa, Gendry já resolve a parada ali mesmo, martelando os dois sem piedade.

Em Winterfell, os lordes do Norte começam a duvidar da habilidade de Jon Snow, que já está ausente a tempo demais. Sansa aceita os elogios a seu governo, e até defende Jon, mas não com tanta força quanto gostaria Arya. A tensão entre as duas irmãs aumenta e elas discutem – não é nada fácil discutir com uma assassina profissional, mas Sansa, apesar de sentir o golpe, se mantém firme. Arya vai investigar o que Littlefinger está aprontando e, além de ver que ele que está plantando a sementinha da discórdia entre os lordes do Norte, também consegue um pergaminho que parece importante e o esconde em seu quarto. Arya o segue e entra no quarto para procurar o que era aquilo. Depois de descobrir o pergaminho, sai de lá soltando fogo pelas ventas (metaforicamente). Littlefinger, escondido, vê tudo e parece estar de volta ao jogo.

De volta a Dragonstone, Davos apresenta Gendry a Jon Snow, que imediatamente contraria o conselho de Davos e abre sua verdadeira filiação, dizendo ser um filho bastardo de Robert e ainda chama Jon de baixinho. Os dois, Davos e Gendry, se juntam a Jon e Jorah e partem em direção a Eastwatch. Lá eles encontram Tormund e também a Irmandade Sem Bandeiras, com o Cão, Beric Dondarion (o da espada flamejante) e Thoros de Myr, o sacerdote do coque no cocuruto. Tensão no ar, já que foi Beric quem “vendeu” Gendry para Melisandre. Tormund também não vai muito com a cara de Jorah, já que o pai dele caçava selvagens. Mas Jon intercede lembrando que eles estão todos do mesmo lado. Gendry, já meio emputecido, quer saber como assim todos do mesmo lado. Jon só responde “Estamos todos respirando” Isso é o suficiente para lembrar a todos que o inimigo mesmo (ainda) está além da Muralha. Está formado o bando que vai tentar capturar um White Walker para fazer apresentações num freak show pertinho de você.

E agora, o que acontecerá no penúltimo episódio da temporada (mas já!)? Além da trupe além da Muralha, teremos o encontro de Daenerys e Cersei? Arya irá confrontar sua irmã, fazendo exatamente o que Littlefinger quer? E Bran, vai começar a contar coisas que as pessoas não saibam ainda ou vai continuar só detonando quem se aproxima pra conversar?

Notinhas

  • Bronn deve ser o Aquaman primordial, porque mergulhar por uns 500m carregando Jaime, que estava de armadura completa e mão de ouro, não é pra qualquer um. Pelo menos ele já provou que é mais útil do que o Aquaman.
  • Como já falamos aqui outras vezes, Randyll Tarly era o pai de Sam. Sim, aquele que o expulsou de casa e o mandou para a Muralha. E que ao receber seu filho de volta, debochou dele e de sua namoradinha selvagem. Pois agora Sam é o único herdeiro dos Tarly. Pelo menos Randyll demonstrou um pouco de afeto para com seu outro filho e morreram os dois de mãos dadas.
  • E seguimos com o pêndulo balançando para Daenerys. Em alguns momentos ela é a rainha benevolente, que vai salvar a tudo e a todos. Em outros momentos, ela chega muito próxima da loucura de seu pai, queimando os outros vivos como se não fosse nada. Apesar de não ter muita escolha, é nessas horas em que o discurso de seus inimigos, principalmente Cersei, encontra mais ressonância.
  • Jon conseguindo chegar tão perto de Drogon deve ter causado uma impressão em Daenerys, apesar dela não transparecer. Ela sabe que seus dragões são Targaryen e não muito afáveis com qualquer um. Quando chegar a hora da verdade sobre seu sobrinho, Daenerys vai se lembrar desse momento.

  • Aliás, quantos dentes tem um dragão? Será que os dentes deles crescem iguais aos do tubarão? Impressionantes os closes em Drogon.
  • Jorah, ao ver Jon ali, deve ter pensado “A não, de novo não! Outro bonitão vai pegar minha rainha e eu vou ficar de lado!” Pobre Jorah, não ganha uma!
  • Numa só tacada Jon recebe a notícia de que Bran e Arya estão vivos, que Bran virou um pai diná e que os White Walkers estão chegando. E tudo o que temos é ele querendo sair logo dali. Nem um dialogozinho com alguém para demonstrar alívio de saber que seus “irmãos” estão bem, nem mesmo um sorriso de alegria por Arya. Esse foi só um dos momentos em que a pressa em correr com a história acabou prejudicando um pouco.
  • Enquanto Gilly lia para Sam que Rhaegar tinha se casado legitimamente com Lyanna, e Sam começava a resmungar que não aguentava mais ouvir tanta inutilidade, eu gritava com a TV – cala a boca, Sam! Presta atenção no que ela está te dizendo, rapaz! Isso é grande, isso muda tudo! Contenha-se e presta atenção! Mas ele não escutou… Pelo menos parece que Gilly levou aquele livro com ela, então logo esse ponto vai voltar.
  • Tyrion já teve ideias melhores do que levar um White Walker de presente para sua irmã. Não que ela não mereça um presente desses, mas o que será que pode dar errado nessa história, não é mesmo? Será que ele nunca assistiu King Kong?

  • Será que Jorah vai se encontrar com sua sobrinha Lyanna Mormont em algum momento? Não será nada divertido, já que ele foi exilado de suas terras depois de ser pego fazendo coisa que não devia (vendendo prisioneiros como escravos), ser condenado à morte por Ned Stark e fugir. O que será que a pequena prodígio diria para o tio?
  • Não tinha nenhum jeito melhor de convencer Cersei de que os White Walkers são verdadeiros? Não bastaria, por exemplo, convencer Jaime a ir com eles para a Muralha e ver com seus próprios olhos o que está rolando por lá? Tyrion sabe que seu irmão já se sente derrotado mesmo, ainda seria uma chance de trazer o irmão para o seu lado e quem sabe se salvar (com o bônus de um possível reencontro entre Jaime e Brienne). E aliás, eles precisam do exército de Cersei? Ela já está com pouca gente, que diferença vai fazer? Outra opção seria mandar uma mensagem pra ela (e pro resto de Westeros) dizendo que vai dar um tempo na guerra pra salvar o mundo e que se ela não quiser participar, beleza, depois a gente te destroi, mas quem quiser dar uma mão será bem vindo e recompensado depois. Mas não, vamos parar a guerra de qualquer forma, pra quem sabe levar um zumbi numa jornada de muitos e muitos dias, onde quase tudo pode dar errado – até mesmo o morto vivo derreter porque não faz frio o suficiente… Não entendi essa. Mas pelo menos vamos ver Jon, Jorah, Tormund, Gendry e o Cão juntos, então pelo menos isso vai valer a pena.
  • E o encontro entre Tyrion e Bronn? Por que não mostraram isso direito? Tanto tempo esperando esses dois se reencontrarem e não pudemos ver #chateado
  • Não sei se acredito em Cersei grávida. Menos ainda em ela querer deixar claro pra todo mundo que o filho é de Jaime. Pode ser só um joguinho para fazer Jaime ficar a seu lado de qualquer jeito.

  • Gendry zerou a internet ao reaparecer. Muitos achavam que ele ainda estava remando desde a terceira temporada – até Davos! Mas parece que ele aproveitou esse tempo para saber mais a respeito de seu pai e para treinar com seu warhammer – que aliás é uma baita homenagem a Robert Baratheon, que ficou famoso por preferir o martelo a espadas. Inclusive foi com um martelo que ele derrotou (e matou) Rhaegar.
  • Só esperamos que Davos não tenha feito o menino remar o barquinho de volta.
  • Gendry diz a Jon Snow algo como “já que nossos pais eram amigos, acho que seremos amigos também”. Mal sabe ele o quanto Robert odiava o verdadeiro pai de Jon.
  • Aliás, estranha essa mudança de personalidade de Gendry. De menino quieto, coração bão, até meio tímido, ele parece ter assumido mesmo a personalidade do pai, fanfarrão, bruto, inconsequente. Tudo bem que passamos 4 temporadas longe dele e não pudemos acompanhar a evolução da personagem, mas ficou meio esquisito.

  • O pessoal das internets já foi atrás de decifrar as imagens da mensagem que Arya pegou no quarto de Littlefinger. É a mensagem que Sansa, ainda uma criança, enviou a Robb lá na primeira temporada, falando para o irmão que seu pai era mesmo um traidor e que Robb deveria se ajoelhar para o rei Joffrey. Claro que na época Sansa ainda era uma sonsa e mesmo assim foi obrigada a escrever aquilo, tanto que Robb mesmo não acreditava naquelas palavras. Mas para quem já está vendo vermelho, como Arya, isso já é o suficiente para reforçar ainda mais a impressão de que Sansa é uma vendida que só quer o poder e não liga para a família.
  • A sorte de Littlefinger é que Lyanna Mormont aparentemente não estava por ali. Aliás, será que ela e Arya já foram trocar uma ideia? Seria muito legal ver essas duas conversando sobre a adolescência super normal delas – será que elas leem Capricho e comparam as respostas do questionário do mês? Será que elas colecionam posters do galã do momento? 🙂

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